Em pouco mais de quatro anos de atuação, a Operação Lava Jato já recuperou R$ 11,5 bilhões, com parte desse valor já devolvida aos cofres públicos, sendo que R$ 3,2 bilhões desse total se referem a bens bloqueados dos réus: 119 já condenados e outros 289 ainda enfrentando processos nos quais são acusados de crimes como corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e crimes contra a pessoa e o sistema financeiro. “Os dados são do Ministério Público Federal e mostram um retrato fiel, ou ao menos um retrato do que a Lava Jato já conseguiu tornar visível porque pode ser muito pior, infelizmente, de como a cultura da corrupção está entranhada no Brasil, prejudicando substancialmente o desenvolvimento do país e a competitividade das empresas, tanto no mercado interno quanto no internacional”, analisa José Nilton Cardoso de Alcântara, diretor da InteliJur, que organiza o Seminário de Compliance e Gestão Jurídica em Curitiba.
O evento, a ser realizado dia 29 de agosto, das 8h às 18h, no Hotel Bourbon Curitiba, na região central da capital paranaense, já tem confirmadas as participações de executivos de renomadas empresas, advogados e representantes do setor público, como Deltan Dallagnol, Procurador da República no Ministério Público Federal e coordenador da Lava Jato, e Thaméa Danelon, também Procuradora da República e integrante da mesma operação anticorrupção que tem à frente o juiz Sérgio Moro. Os procuradores tratarão no Seminário do tema “O Compliance na Visão Estatal”, uma abordagem atualizada da apresentação que fizeram em março, em São Paulo, durante o primeiro evento da InteliJur sobre compliance neste ano.
“Este é o quarto ano consecutivo que a InteliJur coloca esse tema em debate, e agora duas vezes no mesmo ano, com essa edição em Curitiba. Todos sempre muito prestigiados e com alta demanda, o que revela que, apesar da cultura brasileira da corrupção, tem muita gente pensando e buscando saídas. Ter regras de compliance bem estabelecidas, que resumidamente quer dizer que se está em conformidade com as leis e regulamentos, e sendo seguidas em todos os âmbitos, seja público ou privado, é o passo mais importante para transformarmos essa realidade e para que o Brasil seja realmente um país desenvolvido e não apenas um ‘país de futuro’”, diz Alcântara.
Para Deltan Dallagnol, a corrupção é um problema social brasileiro histórico, arraigado e com muitas causas. “Por isso, é importante ver que a discussão sobre esse problema está sendo ampliada, sob diferentes enfoques. O enfoque do setor público, do Ministério Público, da Controladoria Geral da União e também o do setor empresarial, das pessoas que estão preocupadas em promover um ambiente mais ético dentro das empresas”, disse o Procurador durante o último evento sobre compliance promovido pela InteliJur.
Na ocasião, Dallagnol ressaltou ainda que muitas pessoas creditam a corrupção ao setor público, mas ela é uma moeda de duas faces: tem gente que recebe e tem quem pague. “Por isso, é importante ter um ambiente de integridade não só no setor público, mas no privado também. É essencial que empresas, empresários, profissionais do compliance, enfim que todos promovam um ambiente onde não só as pessoas decidam não se envolver (com a corrupção), mas decidam promover uma cultura de integridade nas empresas”, afirmou Dallagnol.
A Procuradora Thaméa Danelon também destacou a relevância de seminários sobre o tema para combater a corrupção no país. “É muito importante porque atualmente estamos vendo no Brasil uma crise ética, uma crise de princípios, uma crise moral”, enfatizou, prosseguindo: “Compliance é nada mais do que estabelecer códigos de ética, seja numa empresa ou, de um modo maior, mais abrangente, na sociedade brasileira. É muito importante que estejam reunidos advogados de várias empresas, membros do Ministério Público, servidores públicos e demais pessoas para discutir como vamos implantar essas regras de ética, de moral e de princípios”.
Cases empresariais
O Seminário de Compliance e Gestão Jurídica em Curitiba contará também com nomes expressivos do compliance corporativo, como Alfredo Santana, diretor para a América Latina do departamento jurídico e de compliance do Grupo Volvo; Lorenza Gloger, diretora jurídica da Positivo Tecnologia; Jafte Fagundes, vice-presidente jurídico e de compliance da Neodent; Fabiana de Freitas, diretora da área Legal & Compliance do Grupo O Boticário, Rogério Moleiro, diretor de Ética & Compliance da Philip Morris Brasil; e João Carlos Orzzi, vice-presidente de Governança, Riscos e Compliance da Vexia. Eles vão abordar como aplicam regras de compliance dentro das empresas onde atuam, bem como fazer uma análise do impacto nos negócios.
Distribuído em painéis com a participação de quatro a cinco executivos, o evento apresenta ainda o tema “Gestão Jurídica na visão dos especialistas”, com a participação de advogados como Filipe Küster, diretor de projetos da Küster Machado Advogados; Natan Baril, fundador da Baril Advogados Associados; e Godofredo Dantas, sócio da Advocacia Souza Dantas; além de Murilo Kaled Jovte, diretor geral da LawVision e sócio da Go4! Consultoria. “O evento também oferece a oportunidade de estabelecer networking com profissionais de renome no mercado, aumentando a rede de relacionamento e negócios”, afirma Alcântara.
As vagas são limitadas e para participar é preciso preencher a ficha de inscrição. Clique na imagem abaixo:

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